A presença feminina no Congresso Nacional vai alcançar o maior patamar da história a partir de 2027.
As eleições desse domingo, 4, levaram 109 mulheres à Câmara dos Deputados, contra 90 eleitas em 2022.
No Senado, foram 12 mulheres eleitas entre as 54 vagas que estavam em disputa, também um recorde em um único pleito desde a redemocratização.
Mesmo com o avanço, a representação feminina continuará distante de uma divisão equilibrada. Na Câmara, as 109 deputadas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras.
No Senado, a bancada feminina deve chegar a 18 integrantes em 2027, o equivalente a 22,2% da Casa.
O crescimento das eleitas ocorreu mesmo com uma redução no número de mulheres que disputaram uma vaga na Câmara.
Em 2022, foram 3.317 candidatas a deputada federal. Neste ano, o número caiu para 2.820.
Ainda assim, a quantidade de eleitas aumentou em 19 cadeiras, passando de 90 para 109. O resultado representa crescimento de cerca de 21% na bancada feminina da Câmara.
Senado terá 18 mulheres
A renovação de dois terços do Senado também produziu um resultado inédito. As 12 mulheres eleitas neste ano superaram o recorde anterior, registrado em 2002, quando oito mulheres conquistaram cadeiras na Casa.
A partir de fevereiro de 2027, a bancada feminina deve passar das atuais 15 para 18 senadoras, considerando também as parlamentares que permanecerão no exercício do mandato. Elas ocuparão 22,2% das 81 cadeiras do Senado.
O Distrito Federal também entrou para a lista de marcas históricas. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas para as duas vagas em disputa no DF. Com Damares Alves, que já tinha mandato, o estado terá três senadoras em 2027.
Piauí continua sem senadora eleita
A eleição de Rayssa Furlan, no Amapá, também alterou o mapa da representação feminina no Senado. Ela será a primeira mulher eleita pelo estado para a Casa.
Com isso, o Piauí passa a ser a única unidade da Federação que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
Mais mulheres não significa uma pauta única
O aumento da bancada feminina não significa, necessariamente, que as parlamentares terão as mesmas posições sobre políticas voltadas às mulheres.
Essa é a avaliação da professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Flávia Biroli. Segundo ela, o crescimento da participação feminina também amplia a diversidade de posições entre as próprias parlamentares, que podem defender projetos diferentes, inclusive propostas que não tenham como foco a igualdade entre homens e mulheres.
“Você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais pra grande maioria das mulheres.”
Mulheres negras avançam na Câmara
A eleição também aumentou a presença de mulheres negras na Câmara, segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem.
Foram identificadas 15 mulheres negras eleitas para a Câmara em 2026, contra nove em 2022, um crescimento de 66,6%, de acordo com o levantamento citado pela Agência Brasil.
Para Tainah Pereira, coordenadora política da organização, o resultado também chama atenção pela presença de mulheres negras jovens entre as eleitas.
No Senado, porém, o cenário é diferente. Nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra, segundo o levantamento apresentado pela Agência Brasil.
A senadora Eliziane Gama, que se declara negra, não conseguiu a reeleição pelo Maranhão. Outras candidatas negras, como Mariana Silva e Benedita da Silva, também não conquistaram uma vaga.
Historicamente, apenas quatro mulheres negras chegaram ao Senado, segundo o levantamento citado na reportagem.
Um recorde ainda distante da maioria
O resultado das urnas amplia a presença feminina no Congresso, mas os números mostram que homens continuarão ocupando a maior parte das cadeiras.
Na Câmara, as mulheres serão pouco mais de um quinto dos deputados. No Senado, pouco mais de um quinto dos parlamentares também será formado por mulheres.
O recorde, portanto, representa uma mudança na composição do Legislativo, mas não altera o fato de que a maioria das cadeiras continuará nas mãos de homens.





