A eleição para o Governo do Tocantins colocou Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB) frente a frente no segundo turno, mas o desenho deixado pelas urnas vai além dos 13.412 votos que separaram os dois.
Enquanto a diferença na disputa pelo Palácio Araguaia foi de apenas 1,58 ponto percentual, os grupos políticos que chegam à segunda etapa saem das urnas com tamanhos bastante diferentes no Legislativo.
Dorinha terminou o primeiro turno com 386.260 votos, 45,52% dos votos válidos. Vicentinho recebeu 372.848, ou 43,94%. Laurez Moreira (PSD), terceiro colocado, teve 69.967 votos, 8,24%.
É justamente a combinação desses dois resultados; uma diferença pequena entre os primeiros colocados e uma composição parlamentar mais ampla de um dos grupos que passa a marcar a nova etapa da eleição.
O mapa da Assembleia mudou o tamanho dos grupos
Na Assembleia Legislativa, a diferença entre as duas candidaturas é mais evidente.
Dos 24 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura, 18 estão ligados ao grupo que apoiou Dorinha, enquanto cinco pertencem ao grupo político de Vicentinho.
Uma cadeira ficou com Luciano Oliveira (PSD), ligado à candidatura de Laurez Moreira.
A bancada associada a Dorinha reúne cinco deputados do Republicanos, cinco do PL, três do União Brasil, dois do Podemos, além de representantes de PV, PCdoB e PRD.
No grupo de Vicentinho, foram eleitos três deputados pelo MDB e dois pela Federação PSDB-Cidadania.
A distribuição, portanto, não reproduz a distância de apenas 1,58 ponto percentual registrada na disputa pelo governo.
Ela mostra uma Assembleia que, a partir de 2027, terá uma maioria de parlamentares eleitos por partidos que estiveram no campo de Dorinha durante a campanha.
Isso não significa que os deputados estejam automaticamente vinculados a todas as decisões de um eventual governo, mas dá a dimensão do tamanho das bancadas que cada grupo conseguiu eleger.
Na Câmara, diferença também aparece
O resultado para deputado federal repete parte desse desenho.
Dos oito representantes que o Tocantins terá na Câmara dos Deputados a partir de 2027, sete foram eleitos por partidos que integraram a aliança de Dorinha.
São Janad Valcari (PP), Jair Farias (União), Lucas Campelo, Ricardo Ayres e Fábio Vaz (Republicanos), Filipe Martins (PL) e Sandoval Cardoso (Podemos).
A única vaga fora desse grupo ficou com Iratã Abreu (PSDB), aliado de Vicentinho.
A composição federal também estabelece uma diferença importante entre os dois campos que agora voltam a disputar o governo.
Senado terminou dividido
Se na Câmara e na Assembleia a distribuição das cadeiras favoreceu numericamente o grupo de Dorinha, a eleição para o Senado terminou dividida entre as duas principais alianças.
Eduardo Gomes (PL), que integrou o grupo de Dorinha, foi reeleito com 450.191 votos, correspondentes a 27,22% dos votos válidos.
Alexandre Guimarães (MDB), do grupo de Vicentinho, conquistou a segunda vaga, com 316.786 votos, ou 19,16%.
Os dois terão mandato de oito anos, a partir de 2027.
E os votos de quem ficou pelo caminho?
A outra parte do resultado está nos quase 90 mil votos válidos que foram destinados aos candidatos que não chegaram ao segundo turno.
Laurez Moreira concentrou a maior parte desse eleitorado, com 69.967 votos. Ataídes de Oliveira (Novo) teve 13.173, Professor Witer Naves (PSOL), 5.109, e Du Pereira (DC), 1.272.
A soma chega a 89.521 voto mais de seis vezes a diferença entre Dorinha e Vicentinho no primeiro turno.
Esses votos, no entanto, não podem ser tratados como um bloco que necessariamente migrará para uma das duas candidaturas.
Uma eventual decisão de apoio de candidato ou partido não significa transferência automática do eleitorado.
Segundo turno começa com dois números no centro da disputa
Dorinha entra na nova fase com a maior votação do primeiro turno e com uma rede partidária que elegeu 18 dos 24 deputados estaduais e sete dos oito deputados federais ligados ao seu campo político.
Vicentinho, por sua vez, terminou a primeira votação com 372.848 votos, apenas 13.412 atrás da adversária, e terá pela frente a tarefa de ampliar sua votação para ultrapassá-la no segundo turno.
O eleitorado que escolheu Laurez, Ataídes, Witer e Du Pereira passa a ser parte importante da nova disputa, mas o resultado de 4 de outubro não permite presumir para onde esses votos irão.
A nova votação será em 25 de outubro, quando os eleitores do Tocantins voltarão às urnas para escolher entre Dorinha e Vicentinho.




