Pai do menino Gustavo é indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual

Pai do menino Gustavo é indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual
Foto: Kathellen - madrasta de Gustavo

A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas, foi concluída pela Polícia Civil com o indiciamento do pai da criança, o advogado Igor Veloso de Sousa, por quatro crimes: vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual.

A madrasta, Kathellen Moreira, também foi apontada no inquérito e deverá responder por vicaricídio e fraude processual.

O caso ganhou novos contornos durante a apuração. A versão apresentada inicialmente de que o menino teria morrido após se afogar na piscina não foi confirmada pelos exames periciais.

Segundo a Polícia Civil, os laudos indicaram que Gustavo sofreu agressões físicas e violência sexual antes de morrer.

As conclusões foram apresentadas nesta segunda-feira (28), durante coletiva da Polícia Civil. O delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a análise dos elementos reunidos no inquérito levou à mudança da classificação jurídica dos fatos.

No início da investigação, os suspeitos eram investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura.

Discussão teria antecedido agressões

Segundo a investigação, Igor contou em depoimento que o filho entrou na piscina sem autorização e chegou a quase se afogar.

O menino teria sido retirado da água pelo pai e, ao ser questionado, afirmou que havia recebido autorização da mãe para entrar na piscina.

De acordo com o delegado, a resposta teria provocado a reação de Igor. A Polícia Civil afirma que ele passou a agredir a criança com chutes e socos, atingindo principalmente a região da cabeça e da barriga.

Menezes também relatou que o investigado teria ingerido bebida alcoólica e medicamento controlado antes dos fatos.

As agressões, conforme a investigação, começaram na área externa da residência e continuaram no quarto de Gustavo. A criança morreu em decorrência das lesões.

Perícia apontou violência sexual

A investigação também encontrou elementos que levaram ao indiciamento por estupro de vulnerável. Igor nega ter cometido violência sexual contra o filho.

Conforme a Polícia Civil, ele teria afirmado que as lesões encontradas na região anal da criança seriam consequência das agressões físicas. A perícia, porém, apontou outra causa para os ferimentos, segundo o delegado.

Menezes afirmou ainda que o exame indicou que Gustavo estava vivo quando as lesões foram provocadas. Esse elemento também foi considerado pela polícia na investigação do crime de tortura.

Corpo teria sido movimentado após morte

Outro ponto apontado no inquérito foi a alteração da cena onde Gustavo foi encontrado.

Segundo a Polícia Civil, o corpo da criança teria sido colocado em uma posição para sustentar a versão de que ela havia sido encontrada morta depois de dormir. Para os investigadores, a mudança na cena configura fraude processual.

A polícia também informou que aparelhos celulares teriam sido escondidos antes da prisão dos investigados.

Igor e Kathellen estão presos desde 5 de agosto. A defesa da madrasta já teve dois pedidos de habeas corpus negados pela Justiça.

Pai do menino Gustavo é indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processualFoto: Kathellen: madrasta de Gustavo 

A situação da filha bebê de Kathellen também foi considerada nas decisões, mas o Judiciário manteve a prisão e registrou que a criança está sob os cuidados da avó.

Investigação contra mãe foi encerrada

No mesmo dia em que a Polícia Civil apresentou a conclusão do inquérito, a Justiça do Tocantins determinou o encerramento definitivo da investigação contra Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo, e contra a advogada dela, Stella Bueno.

A decisão judicial concluiu que não havia justa causa para manter as duas sob investigação no caso da morte da criança.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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