Crianças e adolescentes com diabetes passam a receber sensor que monitora a glicose pelo SUS em Palmas

Crianças e adolescentes com diabetes passam a receber sensor que monitora a glicose pelo SUS em Palmas
Foto: Edu Fortes

 

Crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 começaram a receber sensores de monitoramento contínuo da glicose pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Palmas.

A primeira entrega foi realizada na sexta-feira, 25, pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus), em uma iniciativa que, segundo a prefeitura, torna a capital a primeira cidade da Região Norte a oferecer o dispositivo pela rede pública.

A entrega ocorreu no auditório do Centro Ewaldo Borges e reuniu famílias beneficiadas, profissionais de saúde e representantes da gestão municipal.

A medida atende à Lei Municipal nº 3.429 e é resultado da mobilização de famílias que reivindicavam a disponibilização da tecnologia na rede municipal.

Sensor reduz necessidade de furar o dedo

O dispositivo permite acompanhar continuamente os níveis de glicose, diminuindo a necessidade de medições frequentes por meio da perfuração do dedo.

Conforme a configuração do sensor, também é possível acompanhar a tendência da glicemia e receber alertas sobre alterações.

A tecnologia permite que os responsáveis acompanhem os níveis de glicose das crianças durante atividades do dia a dia, inclusive à distância, por meio de dispositivos compatíveis.

A secretária municipal da Saúde, Ana Paula Abadia, afirmou que a entrega representa mais do que o fornecimento de um equipamento e destacou os ganhos relacionados à segurança, ao conforto e à autonomia dos pacientes.

Segundo a gestora, a experiência também poderá servir de base para avaliar uma eventual ampliação do acesso à tecnologia para outros públicos prioritários.

Famílias participaram da mobilização

Entre as crianças beneficiadas está Gustavo Medeiros, de nove anos. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos cinco anos, ele participou da cerimônia acompanhado da mãe, Luanna Medeiros, de 35 anos, uma das responsáveis pela mobilização das famílias.

Desde o diagnóstico, a rotina da família passou a incluir acompanhamento constante da alimentação, aplicação de insulina e monitoramento das oscilações da glicemia.

Na noite anterior à entrega, por exemplo, o sensor que Gustavo já utilizava identificou alterações nos níveis de glicose durante a madrugada, o que exigiu acompanhamento e aplicação de insulina.

“É uma rotina à qual fomos nos adaptando. Hoje, depois de alguns anos do diagnóstico, ficou um pouco mais fácil, mas precisamos estar sempre atentos ao que ele vai comer, como o organismo vai reagir e como estão os níveis de glicose. O monitoramento por meio da picada no dedo nem sempre é viável para garantir essa autonomia. Com o sensor, conseguimos acompanhar essas alterações com mais facilidade”, relatou Luanna.

Tecnologia também ajuda no acompanhamento escolar

Para a professora Liliane dos Santos Faria, de 43 anos, mãe de Manoel Farias Corado, de sete anos, o sensor deve facilitar principalmente o acompanhamento do filho durante o período escolar.

Atualmente, ela procura trabalhar em instituições próximas à escola do menino para conseguir acompanhar de perto a alimentação e a aplicação de insulina.

Com o dispositivo, a mãe poderá consultar os níveis de glicose pelo próprio celular, o que deve facilitar o monitoramento mesmo quando não estiver ao lado da criança.

A secretária municipal de Desenvolvimento Social e primeira-dama de Palmas, Polyanna Siqueira Campos, também destacou a mobilização das mães e defendeu a continuidade do fornecimento dos sensores.

“Estar aqui e ouvir essas mães me permite compreender melhor a realidade e as dificuldades que elas enfrentam diariamente. Reconheço a importância dessa conquista e quero pedir à Saúde que trabalhe para que esse recurso nunca falte às crianças e às suas famílias. Precisamos garantir que as pessoas tenham acesso aos seus direitos de forma humanizada, sem que precisem lutar constantemente por eles”, afirmou.

Quem pode receber

O fornecimento é destinado a crianças e adolescentes de quatro a menores de 18 anos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1, insulinodependentes, que morem em Palmas e estejam matriculados na rede pública ou privada de ensino do município.

Pais ou responsáveis devem procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) de referência para iniciar o processo de retirada do sensor.

Entre os documentos exigidos estão Cartão SUS, RG e CPF do paciente e dos responsáveis, comprovante de endereço, comprovantes de matrícula e frequência escolar, além de laudo médico atualizado.

O laudo, que pode ser emitido por profissional da rede pública ou privada, deve confirmar o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 e indicar o uso de insulinoterapia e de sensores de glicose.

Também é necessário apresentar o Termo de Consentimento atualizado. Já o Termo de Responsabilidade deverá ser assinado na Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) no momento da retirada do dispositivo.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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