Após larvas serem encontradas em condomínio, Semus alerta para reprodução do Aedes aegypti durante estiagem

Após larvas serem encontradas em condomínio, Semus alerta para reprodução do Aedes aegypti durante estiagem
Foto: Eduardo Lobo

A proximidade do período chuvoso fez a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus) reforçar o alerta contra o Aedes aegypti, mesmo com os índices de infestação baixos durante a estiagem.

O mosquito transmissor da dengue não desaparece no período seco e os ovos deixados em recipientes podem permanecer viáveis por meses, mesmo sem água.

O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 31 de agosto e 4 de setembro, apontou 0,2% de Índice de Infestação Predial (IIP) e 0,2% de Índice de Breteau (IB) em Palmas. Os dois indicadores são considerados baixos.

Segundo a Semus, o resultado pode estar relacionado à estiagem, que reduz a quantidade de água acumulada em locais como lixos, entulhos e sucatas.

Pequenos recipientes também viram criadouros

Para a bióloga Renata Braga, da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), o período que antecede as chuvas exige atenção justamente porque o mosquito continua no ambiente.

“Esse período, que precede à estação chuvosa, merece atenção especial porque, mesmo com a redução dos casos de dengue, o Aedes aegypti continua presente no ambiente”, explica.

Os ovos deixados pelas fêmeas podem permanecer viáveis por meses. Quando entram em contato com água, o ciclo recomeça.

A associação entre mosquito e chuva também pode fazer com que alguns criadouros passem despercebidos. Tampinhas de garrafa, brinquedos esquecidos no quintal, bebedouros de animais, bandejas de geladeira, ralos pouco utilizados, calhas e lonas estão entre os locais que podem acumular água.

“O que pega muita gente desprevenida é justamente a ideia de que, sem chuva, não há mosquito. E basta uma pequena quantidade de água acumulada para permitir a continuidade do ciclo do vetor”, afirma Renata.

Uma semana pode ser suficiente

Em condições favoráveis, o desenvolvimento do mosquito, do ovo até a fase adulta, pode ocorrer em sete a dez dias.

Por isso, a Semus recomenda que os moradores façam uma vistoria nas próprias casas pelo menos uma vez por semana.

A frequência ajuda a encontrar os criadouros antes que o mosquito complete o desenvolvimento. Segundo a bióloga, o período anterior à fase adulta é o momento mais fácil para interromper o ciclo.

“É o período em que o mosquito ainda está restrito ao recipiente onde se desenvolve, o que facilita a identificação e a adoção de medidas para impedir que chegue à fase adulta.”

A Semus também reforça a importância de permitir a entrada dos agentes de combate às endemias durante as visitas domiciliares.

Onde estão os focos

Dados de vistorias e de ovitrampas, utilizadas para monitorar a presença de ovos do Aedes aegypti, mostram que os depósitos móveis estão entre os principais pontos de atenção.

Bebedouros de animais, pratos de vasos de plantas e garrafas retornáveis correspondem a 46,7% dos recipientes com presença de larvas. Depósitos fixos, como calhas e ralos, representam 33,3%.

Na atual estratificação de risco, localidades da região sul de Palmas concentram a maior necessidade de atenção.

Larvas foram encontradas em condomínio

Uma vistoria em um edifício da região central de Palmas mostrou que o problema pode estar dentro de áreas residenciais mesmo durante a estiagem.

Uma equipe da Semus encontrou larvas e pupas na rede de drenagem da área de lazer do condomínio.

A equipe era formada pelo supervisor Adalberto Soares Mota e pelos agentes de combate às endemias Alessandra Cardoso Araújo, Monnaliza Pereira Fernandes e Charlles Ribeiro.

Durante a ação, Adalberto orientou a representante do condomínio sobre a limpeza do local. Ele também explicou que, quando o mosquito chega à fase de pupa, o larvicida deixa de ser eficaz.

“Quando a larva evolui para pupa, ela não se alimenta mais e não vai comer o larvicida, então ela não morre mais com o larvicida. É necessário fazer a limpeza e eliminar as pupas.”

Como evitar os criadouros

A orientação da Semus é retirar a água e eliminar fisicamente os locais onde o mosquito pode se desenvolver. A recomendação vale para recipientes dentro e fora das casas.

Baldes, tambores e caixas-d’água usados para armazenar água durante a estiagem devem permanecer bem vedados. Objetos que ainda serão utilizados precisam ficar protegidos da chuva.

Quem encontrar um criadouro deve eliminar o foco, limpar o recipiente e fazer o descarte correto quando o objeto não tiver mais utilidade.

Moradores que tiverem dúvidas ou precisarem solicitar uma visita podem procurar a Vigilância em Saúde de Palmas pelo telefone (63) 3212-7917.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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