A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (Drcot), deflagrou na manhã desta sexta-feira, 26, a Operação Vital.
A ação visa desarticular uma organização criminosa investigada por sonegação fiscal de ICMS, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de capitais. O esquema gerou um prejuízo calculado em R$ 26.438.802,59 aos cofres públicos estaduais.
As investigações começaram após uma representação da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e apontam que o grupo utilizava empresas de fachada em Gurupi para concentrar dívidas tributárias e ocultar os verdadeiros donos do negócio.
Para burlar o fisco, o grupo usava “laranjas” para registrar as firmas. Um dos sócios formais de uma distribuidora com capital de R$ 500 mil trabalha como motorista de caminhão, enquanto outro sócio tem antecedentes por furto e roubo e vive atualmente em situação de rua.
Desvio de cargas para Palmas e prisão em flagrante
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em residências e comércios de Palmas e Gurupi.
Durante as buscas na capital, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo ao ser flagrado com uma pistola calibre 9mm irregular dentro de casa. Nos endereços, os agentes apreenderam celulares, computadores e documentos contábeis.
O inquérito revelou que grandes cargas de bebidas alcoólicas e energéticos eram compradas de outros estados com destino formal para os galpões de Gurupi.
Contudo, os estabelecimentos existiam apenas no papel e não tinham estrutura para receber as mercadorias. Os caminhões eram desviados para Palmas antes de chegar ao destino oficial. A maior parte dos produtos adquiridos em 2025 foi entregue a uma empresa da capital, apontada como a principal beneficiária da fraude.
Contador foragido da Justiça
A Polícia Civil identificou o operador do esquema, que gerenciava as empresas de fachada por meio de procurações públicas e emitia notas fiscais falsas. As investigações também apontam a participação direta de contadores na fraude.
Um dos profissionais de contabilidade suspeitos de integrar o esquema é Paulo Cesar Maciel dos Santos. Ele também é alvo da Operação El Dourado que apura fraudes fiscais no setor do agronegócio e é considerado foragido da Justiça.
A Operação Vital integra a mobilização nacional “Brasil Contra o Crime Organizado”, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.






