Prefeitura é obrigada pela Justiça a regularizar quadro de professores e abrir concurso público

Prefeitura é obrigada pela Justiça a regularizar quadro de professores e abrir concurso público
Foto: Divulgação

 

Uma decisão liminar da Justiça acendeu o alerta vermelho na gestão da educação em Lagoa do Tocantins.

Atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual (MPTO), o Poder Judiciário determinou que o município passe por uma reestruturação imediata no seu quadro de professores, proibindo novos contratos precários e exigindo a contratação da banca organizadora para um novo concurso público ainda em 2026.

A intervenção ocorreu após uma investigação da Promotoria de Justiça de Novo Acordo constatar que a prefeitura vinha usando contratações temporárias sucessivas de forma irregular.

Em vez de abrir vagas definitivas ou valorizar o pessoal da casa, o município mantinha pelo menos 21 docentes sob vínculo temporário para suprir cadeiras que são fixas na rede de ensino.

Descumprimento de metas e prejuízo nas salas de aula

De acordo com a ação civil pública movida pelo promotor João Edson de Souza, a prefeitura simplesmente engavetou as diretrizes do Plano Municipal de Educação e do Plano de Cargos e Carreiras do Magistério.

A legislação local prevê que os professores concursados tenham o direito de ampliar gradualmente a jornada de trabalho para até 40 horas semanais o que vinha sendo travado pela insistência nos contratos de curta duração.

O promotor alertou sobre os impactos dessa prática na rotina dos estudantes.“A substituição contínua de servidores efetivos por contratos temporários compromete a valorização do magistério, enfraquece a estabilidade da rede de ensino e impacta diretamente a qualidade da educação oferecida aos estudantes”.

Para o Ministério Público, essa rotatividade desenfreada de profissionais agride a Constituição e quebra o vínculo pedagógico nas escolas municipais.

“A contratação temporária deve ser utilizada apenas em situações excepcionais e não para atender demandas permanentes da administração pública”, reforça João Edson.

O “pente-fino” determinado pela Justiça

Com a liminar em mãos, a Prefeitura de Lagoa do Tocantins terá que cumprir uma série de exigências com prazos rigorosos:

  • Convocação dos concursados: Notificar formalmente todos os professores efetivos para que digam se têm interesse em aumentar a carga horária de trabalho;

  • Raio-X dos contratos: Entregar ao Judiciário uma lista detalhada discriminando quem é efetivo e quem é temporário, acompanhada de uma justificativa profissional e individual para cada um dos contratos vigentes;

  • Fim das irregularidades: Extinguir os vínculos considerados ilegais e cessar imediatamente novas admissões temporárias para funções permanentes;

  • Edital à vista: Comprovar os trâmites administrativos para a realização do concurso público neste ano.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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