Após mais de quatro anos, Justiça manda prender 23 PMs suspeitos de participação em chacina e torturas em Miracema

Após mais de quatro anos, Justiça manda prender 23 PMs suspeitos de participação em chacina e torturas em Miracema
Foto: Reprodução/PC-TO

 

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, nesta sexta-feira, 8, uma operação para cumprir 23 mandados de prisão preventiva contra policiais militares investigados por uma série de assassinatos ocorridos em fevereiro de 2022.

Os investigados, apontados como integrantes de um grupo que promoveu execuções em Miracema do Tocantins, devem se apresentar no Comando Geral da PM, em Palmas, de onde serão encaminhados à Delegacia Geral.

A decisão, proferida por um colegiado de juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema, fundamenta-se na necessidade de garantir a ordem pública e impedir que a influência e a capacidade técnica dos agentes sejam utilizadas para intimidar testemunhas ou destruir provas remanescentes.

Cronologia e represália institucional

Após mais de quatro anos, Justiça manda prender 23 PMs suspeitos de participação em chacina e torturas em Miracema
Foto: Montagem/G1

As investigações revelam que os crimes foram articulados como uma forma de represália à morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa, ocorrida durante um confronto em uma plantação de mandioca.

O que se seguiu foi uma sequência de quatro episódios violentos coordenados entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022.

Entre as ações mais graves está a invasão da Delegacia de Polícia de Miracema por um grupo de 15 homens encapuzados, que resultou na execução de Manoel Soares da Silva e seu filho, Edson Marinho da Silva, dentro da unidade policial.

Outro filho de Manoel, Valbiano Marinho, também foi assassinado na porta de casa enquanto estava sob a custódia informal de agentes da inteligência da PM.

Além dessas mortes, quatro jovens foram sequestrados e torturados em um loteamento, resultando em três óbitos e apenas um sobrevivente.

Uso da estrutura do Estado e fraude processual

O texto judicial destaca o caráter sistêmico das atrocidades, apontando que os envolvidos teriam utilizado recursos públicos, como armamento, viaturas oficiais e redes de comunicação do Estado, para praticar as execuções sumárias.

A investigação colheu indícios de fraude processual, incluindo a adulteração de sistemas de GPS das viaturas e o desligamento estratégico de celulares para ocultar rotas.

Há também o relato de que policiais teriam apreendido HDs com imagens de segurança de um posto de combustíveis e, posteriormente, forjado o furto desses dispositivos de dentro de uma viatura para eliminar evidências.

Diante da gravidade, a Justiça impôs, além da prisão, o afastamento imediato das funções públicas e a suspensão total do porte de armas dos envolvidos.

Posicionamento das instituições

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP/TO) confirmou que as prisões fazem parte de um esforço para elucidar todas as circunstâncias do ataque à delegacia e das execuções.

A Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral acompanha o caso e que presta o apoio necessário às autoridades investigativas, reiterando que não tolera desvios de conduta e que os fatos serão rigorosamente apurados.

Enquanto 23 agentes tiveram a prisão preventiva decretada, um vigésimo quarto policial militar responderá ao processo em liberdade, submetido apenas a medidas cautelares restritivas.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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