Grupo é alvo de operação por vender CNH sem aulas, exames e provas por até R$ 4,3 mil no Tocantins

Operação mira grupo suspeito de vender CNH sem prova no Tocantins; polícia cumpre 10 prisões e 59 mandados de busca
Foto: João Guilherme Lobasz/Governo do Tocantins

 

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 11, a Operação Sinal Vermelho, uma ofensiva contra uma organização criminosa especializada na emissão fraudulenta da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Estão sendo cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão em diversas cidades do Tocantins e também em Imperatriz (MA).

As investigações, iniciadas pela Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) de Palmas, revelaram um esquema de “venda de CNHs à distância”. Segundo a polícia, candidatos pagavam até R$ 4,3 mil para obter o documento sem a necessidade de realizar exames médicos, aulas ou provas.

O grupo investigado possui uma composição mista, envolvendo desde agentes públicos até o setor privado. A rede criminosa contaria com a participação de:

  • Servidores públicos e funcionários de empresas terceirizadas;

  • Instrutores de Centros de Formação de Condutores (CFCs);

  • Profissionais de clínicas médicas e psicológicas credenciadas.

A mobilização policial conta com cerca de 200 agentes para o cumprimento das ordens judiciais expedidas pela 2ª Vara Criminal de Augustinópolis. As diligências ocorrem simultaneamente em Palmas, Araguaína, Araguatins, Augustinópolis, Guaraí, Sítio Novo, Ananás e na cidade maranhense de Imperatriz.

Métodos utilizados para burlar o sistema

Para viabilizar a emissão dos documentos sem a presença física dos candidatos que, em alguns casos, sequer visitavam o Tocantins, os investigados utilizavam técnicas sofisticadas para enganar as travas de segurança do sistema:

  • Manipulação Biométrica: Uso de digitais de terceiros para validar a presença de alunos ausentes.

  • Burlar o Reconhecimento Facial: Utilização da técnica “foto de foto”, enviando imagens de documentos ou arquivos digitais para simular a presença do candidato no sistema.

  • Lançamento Manual: Inserção direta de aprovações em exames teóricos e práticos que nunca ocorreram.

Consequências jurídicas e administrativas

Os envolvidos estão sob investigação por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas de informação.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que as provas colhidas serão compartilhadas com a corregedoria do Detran-TO para as devidas sanções administrativas. Até o momento, o Detran não se manifestou oficialmente sobre o caso. Os nomes dos alvos da operação permanecem sob sigilo.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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