O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta quarta-feira, 30 de julho de 2025, a revogação da prisão preventiva do advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho. Ele estava detido desde 18 de março como parte da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal que investiga o vazamento de decisões judiciais e acesso não autorizado a informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A liberação de Barbosa deve ocorrer nas próximas horas, com o envio do alvará de soltura à Unidade Penal de Palmas.
De acordo com seus advogados — Lucas Mendonça Cavalcante, Evellin Faquini Moura Coelho e Beatriz Castro Cavalcante —, com a liberdade reestabelecida, Thiago responderá às acusações em liberdade e poderá apresentar sua defesa com calma e demonstrar sua inocência.
A decisão do ministro Zanin incluiu a imposição de medidas cautelares, como a proibição de contato com outros investigados envolvidos nas operações Sisamnes, Fames‑19 e Maximus; retenção do passaporte; e restrição para deixar o país.
Em justificativa, Zanin ressaltou que outros investigados no Tocantins — como o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, o advogado Antônio Ianowich Filho e o policial civil Marco Velasco — já haviam sido beneficiados com decisões semelhantes, o que justificaria estender o mesmo tratamento a Thiago para manter isonomia na aplicação das medidas cautelares.
Contexto da Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes, autorizada pelo STF, investiga uma estrutura suspeita de comércio de informações sigilosas de processos judiciais, principalmente relacionados ao STJ. As apurações envolvem magistrados, advogados, servidores públicos e agentes políticos dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Mato Grosso do Sul.
Em junho de 2025, o ministro Zanin prorrogou por 60 dias o inquérito e acatou o despacho da PGR, destacando a necessidade de aprofundamento da investigação, dado o volume de mensagens que sinalizavam conexão entre investigados e instâncias superiores do Judiciário.
Na fase mais recente em Tocantins, o prefeito de Palmas e outros acusados tiveram prisões revogadas com aplicação de medidas cautelares semelhantes àquelas aplicadas agora a Thiago Barbosa.
Perspectiva da defesa e próximos passos
Segundo os advogados, com a libertação, Thiago poderá exercer plenamente seu direito à defesa. “A decisão do eminente ministro Cristiano Zanin permite que o Dr. Thiago responda às acusações em liberdade […] e com a possibilidade de demonstrar que jamais praticou qualquer ato ilícito”, afirmaram em nota.
A Justiça seguirá investigando o caso, sob supervisão do STF, e Thiago continuará obrigado a cumprir as cautelares determinadas, enquanto as investigações avançam.









