Idoso de 94 anos consegue na Justiça reconhecimento de união estável com companheira falecida após 60 anos juntos

 

A Justiça de Formoso do Araguaia confirmou, por meio da 2ª Escrivania Cível, a existência de uma união estável entre um aposentado de 94 anos e sua companheira, que faleceu em 2017 aos 90 anos. A decisão, assinada pelo juiz Valdemir Braga de Aquino Mendonça e divulgada nesta segunda-feira, 31 , atesta que os dois viveram juntos por quase 60 anos, sem oficializar o casamento, mas formando uma entidade familiar.

O reconhecimento da união estável foi solicitado pelo aposentado em 2023, seis anos após o falecimento de sua companheira. No pedido, ele alegou que a relação era pública, contínua e baseada no compromisso de vida em comum, embora nunca tenham se casado oficialmente ou tido filhos. Para comprovar a convivência, ele apresentou documentos que demonstravam o vínculo.

Entre os documentos apresentados, estavam a certidão de óbito da companheira, registros de um processo administrativo do INSS que reconheceu a união para a concessão de pensão por morte e uma declaração conjunta assinada pelo casal em 1998. O documento, feito há mais de duas décadas, afirmava que os dois já conviviam maritalmente havia 40 anos, o que reforçou a tese do relacionamento duradouro.

Base legal garante reconhecimento tardio

Na sentença, o juiz fundamentou sua decisão no artigo 226, parágrafo 3º da Constituição Federal, e no artigo 1.723 do Código Civil, que conferem à união estável o status de entidade familiar com proteção legal. Segundo ele, a existência de provas documentais e testemunhais foi suficiente para atestar a relação, mesmo após o falecimento de um dos envolvidos.

Pensão por morte foi fator relevante para a decisão

O magistrado destacou ainda que o fato de o INSS ter concedido a pensão por morte ao aposentado foi um indício forte do reconhecimento oficial da relação. A decisão também enfatiza que a declaração feita em 1998, junto com os depoimentos de testemunhas, evidenciou a publicidade, continuidade e estabilidade da convivência entre os dois ao longo das décadas.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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