Governo encerra programa Jovem Trabalhador após suspeita de prejuízo de mais de R$ 25 milhões; entenda

Governo encerra programa Jovem Trabalhador após suspeita de prejuízo de mais de R$ 25 milhões; entenda
Foto: Carlessandro Souza/Governo do Tocantins

 

O Governo do Tocantins decidiu encerrar o programa Jovem Trabalhador após identificar um possível rombo de mais de R$ 25 milhões em pagamentos feitos sem comprovação de presença dos estudantes. Com esse fim confirmado, o governador Laurez Moreira (PSD) já marcou o lançamento de um novo modelo de contratação de jovens para o primeiro emprego, que será apresentado no Palácio Araguaia.

Segundo o governo, a ideia é substituir o programa por outro mais organizado, com controle mais rígido do dinheiro público, qualificação completa, acompanhamento pedagógico reforçado e atividades práticas que realmente façam diferença na vida dos jovens. O novo formato terá parceria com instituições como o Senai e contará com monitoramento mais firme do contrato e das atividades.

A decisão veio depois que a fiscalização contratual e uma análise feita pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) encontraram problemas no controle de frequência feito pela Renapsi, empresa que tocava o Jovem Trabalhador.

A auditoria descobriu 16.929 registros sem prova de presença na folha de ponto mas que, mesmo assim, entraram como pagos. Considerando o salário mínimo de R$ 1.518, a conta chegou a um possível prejuízo de R$ 25.702.422, entre junho de 2023 e setembro de 2025.

A empresa foi notificada para explicar as divergências e o caso foi enviado ao Ministério Público Estadual, à Procuradoria-Geral do Estado e ao Tribunal de Contas do Estado, que devem analisar e tomar as medidas cabíveis.

Novo programa promete mais controle e transparência

O secretário de Planejamento e Orçamento, Ronaldo Dimas explicou que o novo programa deve garantir mais segurança no uso do dinheiro público e ampliar a qualidade do serviço oferecido aos adolescentes e jovens. Segundo ele, o modelo será mais eficiente, com maior alcance e funcionando dentro dos princípios de responsabilidade social, financeira e transparência.

Instituição diz que cumpriu as regras e critica encerramento

A Demà, entidade responsável pela execução do programa, disse em nota que a decisão do governo provocou o desligamento imediato de mais de 1.600 jovens, incluindo gestantes, jovens com deficiência, indígenas, quilombolas e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

A instituição afirmou que sempre seguiu “todas as regras acordadas” e que atuou “de forma transparente, ética e profissional”. Sobre os problemas na frequência, a Demà afirmou que essa parte era responsabilidade da Setas e que não teria sido feita da forma combinada.

Na nota, a entidade classificou o encerramento como uma “quebra de compromisso com a juventude tocantinense”, lembrando que o programa garantia formação técnica de dois anos, auxílio financeiro e acompanhamento social, ajudando a tirar jovens de situações de risco.

A Demà informou ainda que pretende buscar apoio para tentar garantir que os jovens terminem a formação, já que o modelo anterior não permite que eles sejam transferidos automaticamente para outro programa.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Mais Notícias