Mulher é condenada a 21 anos de prisão por matar ex-companheiro queimado enquanto ele dormia

Mulher é condenada a 21 anos de prisão por matar ex-companheiro queimado enquanto ele dormia
A vítima ficou internada por nove dias, mas não resistiu aos ferimentos

 

Uma mulher foi sentenciada a 21 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pelo crime de mariticídio – assassinato do ex-companheiro –, ocorrido em julho de 2023 em Tocantinópolis. O julgamento aconteceu na terça-feira, 17, e o Conselho de Sentença acompanhou a denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO), reconhecendo o homicídio como triplamente qualificado: motivação torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

A promotoria sustentou que o crime teve como motivação torpe a insatisfação da mulher com o término da relação e a recusa do ex-companheiro em dividir um imóvel adquirido antes da união estável. O meio cruel foi caracterizado pelo uso de fogo, enquanto a dificuldade de defesa se deu pelo fato de a vítima ter sido atacada enquanto dormia, acordando já em chamas. A sentença ainda está sujeita a recurso.

Histórico de violência e ameaças

O relacionamento entre vítima e acusada era conturbado, marcado por agressões mútuas. Após o término, a mulher passou a ameaçar o homem, culminando no crime na madrugada de 7 de julho de 2023. Na ocasião, ela ateou fogo no corpo do ex-companheiro enquanto ele dormia. A vítima ficou internada por nove dias, mas não resistiu aos ferimentos.

Além disso, meses antes do assassinato, a mulher já havia danificado o fogão e outros objetos do homem com fogo e tentou invadir o local onde ele trabalhava. Cerca de duas semanas antes do homicídio, ela arrombou a porta da casa do ex-companheiro e foi conduzida à Delegacia de Polícia, jurando vingança.

Conflito jurídico e aumento da tensão

O crime aconteceu três dias após a mulher ser notificada para comparecer a uma audiência judicial de dissolução da união estável. A vítima buscava evitar que o imóvel onde residia fosse incluído na partilha de bens, o que intensificou os conflitos entre as partes.

Promotoria alerta para violência contra homens

Durante o julgamento, o promotor de Justiça destacou a importância de dar atenção também à violência conjugal praticada contra homens, frequentemente subnotificada. Para ele, o enfrentamento dessas situações é essencial para promover um padrão mais elevado de civilidade e evitar a escalada de conflitos.

O promotor citou ainda o livro “São as mulheres as melhores homicidas?”, da psiquiatra austríaca Sigrun Rossmanith, que aponta que, embora mulheres matem menos, quando cometem homicídios, podem adotar métodos mais cruéis e criativos, possivelmente para compensar a falta de força física.

Análise psicológica e reflexões culturais

Conforme parecer psicológico apresentado no julgamento, as lesões na vítima podem ter sido escolhidas de maneira simbólica, visando atingir a força associada ao órgão sexual masculino, visto como símbolo de poder no imaginário coletivo.

O promotor enfatizou que punir severamente crimes dessa natureza é uma forma de desestimular conflitos conjugais e proteger vidas, independentemente do gênero das vítimas.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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