O fim de ano costuma ser um período de encontros em família, confraternizações e mais tempo dentro de casa. Apesar de ser um momento esperado por muitos, também exige atenção. O aumento do convívio, o consumo de bebida alcoólica e as tensões acumuladas ao longo do ano podem acabar gerando conflitos. Pensando nisso, o Ministério Público do Tocantins reforça a importância do diálogo, da informação e do uso dos canais de denúncia para evitar que discussões se transformem em violência contra mulheres e meninas.
Historicamente, os meses que envolvem o Natal e o Ano Novo registram crescimento nos casos de violência doméstica. Por esse motivo, ações de prevenção e o fortalecimento da rede de apoio às vítimas se tornam ainda mais necessários nesse período.
Dados da Secretaria da Segurança Pública do Tocantins mostram que, somente nos meses de novembro e dezembro de 2024 e janeiro de 2025, foram registrados 3.402 casos de violência contra a mulher no estado. Em 2025, o número total de vítimas já chegou a 13.928, enquanto em 2024 foram 13.561 casos, um aumento de 2,71%. Os registros de feminicídio também cresceram: em 2024 foram 13 casos e, em 2025, já são 19.
A prevenção como principal caminho
No enfrentamento à violência doméstica, o Ministério Público tem adotado uma postura que vai além da punição. A atuação da promotoria especializada busca agir antes que os conflitos se agravem, incentivando o diálogo, o controle das emoções e o respeito dentro das relações familiares.
De acordo com o promotor de Justiça Konrad Wimmer, prevenir é a forma mais eficaz de evitar tragédias. Ele explica que muitos episódios de violência começam com desentendimentos simples, que poderiam ser resolvidos com conversa e compreensão. Quando o caso chega à Justiça, geralmente é porque o diálogo já falhou.
Dentro dessa proposta, a Promotoria desenvolve ações como o projeto Dias Melhores, que trabalha com Círculos de Construção de Paz e Grupos Reflexivos. Essas atividades são voltadas, principalmente, para homens e têm como objetivo estimular a paciência, o autocontrole e a solução pacífica dos conflitos do dia a dia.
Denunciar é um passo importante
Ao longo do ano, o Ministério Público também realiza ações para levar informação diretamente à população, explicando direitos, serviços disponíveis e como buscar ajuda. Qualquer tipo de violência — física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial — precisa ser levado a sério.
A promotora de Justiça Flávia Rodrigues destaca que muitas mulheres continuam em situações de violência por medo, falta de informação ou por não saberem a quem recorrer. Segundo ela, romper o silêncio pode salvar vidas. Quando a denúncia acontece, a vítima passa a ter acesso à proteção e o agressor pode ser responsabilizado.
Atendimento continua durante o recesso
Mesmo no período de recesso de fim de ano, os serviços de proteção às vítimas continuam funcionando normalmente. O Ministério Público do Tocantins mantém canais de atendimento e trabalha de forma integrada com outros órgãos da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
Em situações de emergência ou para orientação e denúncia, estão disponíveis os seguintes canais:
-
190 ou 153 – Polícia Militar (emergências)
-
197 – Polícia Civil
-
180 – Central de Atendimento à Mulher (atendimento 24 horas, gratuito e anônimo)
-
Disque 100 – Violação de Direitos Humanos
Até o dia 6 de janeiro, a Ouvidoria do Ministério Público segue atendendo em regime de plantão, das 12h às 18h, pelos telefones 127, (63) 3216-7586 ou pelo WhatsApp (63) 9100-2700.
A informação, o diálogo e a denúncia são atitudes essenciais para prevenir a violência e garantir que nenhuma mulher enfrente essa situação sozinha.








