Com esposa na relatoria, votação secreta e só três vereadores, contas de ex-prefeito são anuladas no interior do Tocantins

Com esposa na relatoria, votação secreta e só três vereadores, contas de ex-prefeito são anuladas em cidade do interior do Estado
Foto: Reprodução

 

A Justiça determinou o cancelamento da aprovação das contas do ex-prefeito de Novo Alegre, Paulino Pereira dos Santos, conhecido como “Paulo”, referentes aos anos de 2005 a 2008. A decisão foi assinada pelo juiz Eduardo Barbosa Fernandes, da Vara Cível de Arraias, que considerou irregular a análise feita pela Câmara Municipal em 2023.

O caso chegou à Justiça após três moradores do município entrarem com uma ação popular, em outubro do ano passado. Eles questionaram a sessão que aprovou as contas, mesmo com o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins recomendando a rejeição dos números apresentados pelo ex-prefeito.

Durante a análise, o juiz identificou um conflito de interesses. A vereadora responsável pelo relatório das contas era esposa do ex-prefeito na época. Além de presidir a Comissão de Finanças, ela também relatou o processo e votou a favor do marido.

Para o magistrado, essa situação comprometeu a imparcialidade da Câmara e feriu princípios básicos da administração pública.

Na decisão, o juiz afirmou que a participação da vereadora em todas as etapas do julgamento prejudicou a neutralidade do processo. Segundo ele, houve “conflito de interesses” e falta de isenção por parte do órgão responsável pela análise das contas.

Votação não atingiu o mínimo exigido

Outro problema foi o número insuficiente de vereadores na votação. Em Novo Alegre, a Câmara tem nove parlamentares, e seriam necessários pelo menos seis votos para contrariar o parecer do Tribunal de Contas. Contudo, apenas três vereadores participaram da sessão.

Sessão foi fechada ao público

A Justiça também criticou o fato de a votação ter sido secreta e com acesso limitado ao público. Para o juiz, a população deveria ter podido acompanhar o julgamento das contas. “A combinação entre votação secreta e limitação do acesso do público fragilizou a legitimidade democrática do julgamento”, registrou na sentença.

Câmara terá que refazer o julgamento

Com as irregularidades, a aprovação das contas foi anulada. Agora, a Câmara de Novo Alegre terá que realizar uma nova votação, seguindo regras de transparência e imparcialidade.

A vereadora, esposa do ex-prefeito, não poderá participar do processo. A sessão deverá ser aberta ao público e só poderá contrariar o Tribunal de Contas com o apoio de dois terços dos vereadores.

A sentença ainda pode ser alvo de recurso no Tribunal de Justiça do Tocantins.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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