O Governo do Tocantins decidiu encerrar o programa Jovem Trabalhador após identificar um possível rombo de mais de R$ 25 milhões em pagamentos feitos sem comprovação de presença dos estudantes. Com esse fim confirmado, o governador Laurez Moreira (PSD) já marcou o lançamento de um novo modelo de contratação de jovens para o primeiro emprego, que será apresentado no Palácio Araguaia.
Segundo o governo, a ideia é substituir o programa por outro mais organizado, com controle mais rígido do dinheiro público, qualificação completa, acompanhamento pedagógico reforçado e atividades práticas que realmente façam diferença na vida dos jovens. O novo formato terá parceria com instituições como o Senai e contará com monitoramento mais firme do contrato e das atividades.
A decisão veio depois que a fiscalização contratual e uma análise feita pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) encontraram problemas no controle de frequência feito pela Renapsi, empresa que tocava o Jovem Trabalhador.
A auditoria descobriu 16.929 registros sem prova de presença na folha de ponto mas que, mesmo assim, entraram como pagos. Considerando o salário mínimo de R$ 1.518, a conta chegou a um possível prejuízo de R$ 25.702.422, entre junho de 2023 e setembro de 2025.
A empresa foi notificada para explicar as divergências e o caso foi enviado ao Ministério Público Estadual, à Procuradoria-Geral do Estado e ao Tribunal de Contas do Estado, que devem analisar e tomar as medidas cabíveis.
Novo programa promete mais controle e transparência
O secretário de Planejamento e Orçamento, Ronaldo Dimas explicou que o novo programa deve garantir mais segurança no uso do dinheiro público e ampliar a qualidade do serviço oferecido aos adolescentes e jovens. Segundo ele, o modelo será mais eficiente, com maior alcance e funcionando dentro dos princípios de responsabilidade social, financeira e transparência.
Instituição diz que cumpriu as regras e critica encerramento
A Demà, entidade responsável pela execução do programa, disse em nota que a decisão do governo provocou o desligamento imediato de mais de 1.600 jovens, incluindo gestantes, jovens com deficiência, indígenas, quilombolas e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A instituição afirmou que sempre seguiu “todas as regras acordadas” e que atuou “de forma transparente, ética e profissional”. Sobre os problemas na frequência, a Demà afirmou que essa parte era responsabilidade da Setas e que não teria sido feita da forma combinada.
Na nota, a entidade classificou o encerramento como uma “quebra de compromisso com a juventude tocantinense”, lembrando que o programa garantia formação técnica de dois anos, auxílio financeiro e acompanhamento social, ajudando a tirar jovens de situações de risco.
A Demà informou ainda que pretende buscar apoio para tentar garantir que os jovens terminem a formação, já que o modelo anterior não permite que eles sejam transferidos automaticamente para outro programa.







