A menina da cara vermelha

Os  cara pálidas são pessoas que não tem vigor na face, dormem muito e foram intitulados dessa maneira pelos índios americanos porque tinham como característica a pele branca e vermelha.

Uma sonâmbula procurava no midiar da noite uma menina de cara vermelha. É o início da minha estória.

 A moça que era sonâmbula não irá de forma alguma recordar da cena, mas com assertiva a cena surreal será relembrada por seus familiares,   pois  estes foram acordados por índios imaginários em Pleno inverno da cidade de Palmas- Tocantins.

Ela, a sonâmbula pertencia à árvore genealógica dos Regalados, família distinta do sertão Rio-grandense,  terra dos papa-jerimuns.

Esta terra não é dos vudus ou de parente do Bicho-papão, mas advém de expressão que agrega descendentes de  Região do nordeste  em que os americanos tiveram a honra de conhecer  na segunda guerra mundial, local em que   bravos nordestinos tinham o costume de apreciar um bom prato de purê de abóbora e naturais da cidade de Natal-RN.

 

O termo papa-jerimum,  segundo lendas recolhidas por não menos  do que o culto  Luis da Câmara Cascudo, na sua obra  Dicionário do Folclore Brasileiro,  o presidente de província Lopo Joaquim de Almeida Henriques, que administrou de 30 de agosto de 1802 a 19 de fevereiro de 1806, mandou fazer roçados de mandioca e melancias e com elas pagara “possivelmente” aos funcionários públicos com essas espécies. Dizia-se também que no ano de 1906, a primeira versão do Jornal Diário de Natal, na coluna intitulada “De meu canto”, o autor sob pseudônimo “Neto”, publicou a pretensão do então governador Pedro Velho de pagar aos funcionários com salários em atraso, com jerimuns, fazendo alusão ao presidente de província Lopo Joaquim, citado anteriormente. Nesta coluna, o autor acusa o governador de plantar jerimuns nos jardins públicos da cidade.

Pois agora vamos falar sobre sonambulismo, papa-jerimuns e o porquê que o motivo da conversa de hoje é sobre a  menina da cara vermelha.

Eu tive a descendência de Gorgônio Regalado, que por sinal descende de Pedro-Regalado, que era um santo lá da Espanha, um franciscano extremamente culto que tinha o poder da ubiquação, de estar em dois lugares ao mesmo tempo.

O santo da Espanha era um homem genial, ele acalmava feras da região, touros selvagens e tinha o poder da ubiquação, que também era um dom de Santo Antônio de Pádua. E este sobrenome Regalado surge de uma promessa pois minha   tataravó tinha perdido tres filhos devido abortos naturais e jurou que o próximo não morreria pois teria o nome do santo do dia.

Ele não ficava em cima do muro, era um gênio que ficava no muro e no ar, talvez um gênio da lâmpada.

A genética do sonambulismo foi repassada a família.

O sonambulismo apresenta-se como  um distúrbio cuja causa ainda é desconhecida.  e se manifesta durante o estágio mais profundo do sono, o sono de ondas lentas, não-REM.

Segundo Allan Kardec é coisa de alma evoluída, e não de alma doido-varrida, pois o sonambulismo seja   magnético, artificial, provocado ou induzido seria um estado de emancipação da alma provocado pela ação que um magnetizador exerce sobre outra pessoa, por meio do fluido magnético, onde a lucidez da alma é mais desenvolvida, ou seja, ela vê as coisas com mais precisão.

Se esta teoria for verídica os Regalados são influenciados por almas do outro mundo, e começo a ter medo.

Gorgônio em estado de sonambulismo convicto teve certeza de um prelúdio e conversa informal com um extraterrestre quando acordou no meio da noite  e pediu a sua amável companheira para abrir a janela, e esta sem saber de nada teve o cuidado de acordar devagarinho, assombrada, com medo de ladrão e ser a responsável pelo ato material de  abrir a janela.

E disse:

- Zilda, olha o disco voador!

Moema, filha de Gorgônio Regalado, mamãe,  acordou a rua inteira porque tinha um jacaré debaixo da cama.

Alguns outros parentes já gritaram no meio da noite, outros viram nossa senhora com vários anjos envoltos numa bola brilhante e correu  na casa inteira sem parar, em estado de transe.

A última vez, foi a vez da  menina de cara vermelha.

Nessa noite, uma das netas de Gorgônio dormiu mal e quando dormiu resolveu acordar com os olhos fechados  e abriu  a porta do quarto de uma das bisnetas e acordou a casa toda perguntando a bisneta por que razão ela estava com a cara vermelha?

São coisas inexplicáveis e diga-se de passagem quem ficará com a cara ermelha será a pobre sonâmbula que não sabe o quê faz, mas age porque alguma alma penada do outro mundo quis brincar de cara vermelha com todos da casa.

Utilizou o fluído magnético e  Allan Kardec que o diga.

A casa pegou fogo!

 

 

 

 

Juíza de Direito Luciana Aglantzakis; Membro da Academia Palmense de Letras (APL) - 17/05/2021

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