O DESEQUILIBRIO ENTRE OFERTA DE VAGAS DE EMPREGO E A DEMANDA POR TRABALHADORES

Nos últimos anos tem se tornado mais evidente um fenômeno que ocorre no mercado de trabalho contemporâneo, o desequilíbrio entre a oferta de vagas e a demanda por trabalhadores. Ouvimos muito frequentemente a reclamação de empregadores que não encontram no mercado de trabalho pessoas qualificadas, motivadas para o trabalho e ou que queiram trabalhar. Por outro lado, ouvimos dos trabalhadores em situação de desemprego que o mercado de trabalho está competitivo e que faltam vagas que preencham suas competências ou seus desejos profissionais. O certo é que hoje nas organizações públicas ou privadas que trabalham com intermediação de mão de obra há um excesso de vagas de emprego em estoque e poucas pessoas à procura dessas vagas.

 

Parte dessa problemática se deve ao aumento do número de pessoas desalentadas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera desalentado quem gostaria de trabalhar, porém não procura emprego por achar que não encontraria. Essa população pode ser desmotivada a ingressar no mercado de trabalho por fatores como idade, qualificação, cenário econômico ou localidade. A população de desalentados em 2020 no Brasil era de 5 milhões de trabalhadores, segundo dados do IBGE. A última avaliação trimestral referente aos meses de setembro, outubro e novembro de 2021, divulgada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), foram registradas cerca de 4,8 milhões de desalentados no Brasil.

 

Outro fator que corrobora para esse fenômeno do desequilíbrio entre a oferta de vagas e a demanda de trabalhadores para preencher essas oportunidades de trabalho, se deve também a ausência de políticas públicas que contemplem os desalentados. As políticas públicas mais aplicadas a trabalhadores que estão em situação de desemprego são a intermediação de mão de obra feita pelo sistema nacional de empregos, ofertas de cursos de capacitação, qualificação profissional e de geração de emprego e renda, ofertadas pelas organizações públicas, mistas e ou privadas. Na grande maioria esmagadora dessas capacitações são trabalhados aspectos técnicos e muitas vezes humanos, externos à condição do indivíduo que se encontra em desalento. Nos planos de cursos ofertados a ausência de aspectos como a inteligência emocional vide Daniel Goleman ou inteligência intrapessoal e interpessoal descritos na teoria de Howard Gardner.

 

O desenvolvimento de competências técnicas é muito bem-feito pelas escolas, faculdades e centros de capacitações, mas o desenvolvimento da inteligência intrapessoal e interpessoal, tem passado ao largo dá percepção dos construtores de conteúdo. Segundo Daniel Goleman 80% do sucesso ou insucesso das pessoas se deve a inteligência emocional, não é por acaso que, hoje nós possuímos um exército de doutores desempregados, pessoas altamente capacitadas (graduadas, pós-graduadas, mestres) quando olhamos para o lado técnico científico, mas desprovidas da inteligência intrapessoal e interpessoal para fazer com que todo esse conhecimento trabalhe em seu favor.

 

Para reverter a problemática supracitada é imperioso que trabalhemos o cidadão de forma integral ofertando-lhe conhecimentos, desenvolvendo as suas habilidades laborais e estimulando a atitude, que é a ferramenta mais poderosa para o alcance do sucesso em qualquer área da vida. Todos esses 3 ingredientes são fundamentais para construção de um ser humano bem-sucedido, mas apenas um deles não pode faltar de maneira nenhuma no chá, a atitude. O ingrediente mais poderoso do CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude) é a atitude! O exército de doutores desempregados detém muito conhecimento e estão habilitados em suas áreas de atuação, mas falta-lhes a atitude para inserção no mercado de trabalho.  Quem tem mais chance de vencer na vida não é aquele que possui inteligência cognitiva superior (Q.I.), e sim inteligência emocional (Q.E.).

 

A alegoria ou o mito da caverna de Platão facilitará compreensão da realidade do mercado de trabalho atual, aí vai um resumo da metade da estória: Pessoas se encontravam acorrentadas, de costas para uma caverna, onde pela sua entrada um feixe de luz que delineava a silhueta dos que passavam no exterior, formava na parede da caverna a sombra de monstros criaturas deformadas e horríveis, que amedrontava os residentes, que optavam por não sair da caverna. Tal qual os indivíduos da alegoria de Platão, muitos trabalhadores em situação de desemprego sustentam o desequilíbrio entre oferta de vagas abundantes em estoque e ausência de trabalhadores a procura destas vagas.

A'Eronssaytt Gomes* - 23/05/2022

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