Presidente do Conselho Federal da OAB fala sobre ética, exame da Ordem e 5º Constitucional

Lorena Karlla (JusTocartins) - 14/09/2012

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante esteve no Tocantins esta semana para inaugurar uma série de melhorias na sede da OAB – Tocantins. Durante o evento que mobilizou advogados e autoridades locais, Ophir Cavalcante falou à imprensa tocantinense sobre vários assuntos ligados a categoria. As temáticas principais foram o Exame da Ordem, e os questionamentos que o cercam e a ética do profissional do Direito. 

Confira a entrevista:

JusTocantins - Qual sua postura diante de todas essas discussões relacionadas à exigência do exame de Ordem dos Advogados para exercer a profissão?

Ophir Cavalcante – A advocacia brasileira tem um papel importantíssimo no cenário nacional. Por determinação da Constituição, a advocacia é encarregada de fazer a defesa da liberdade, dos direitos e garantias fundamentais previstos no artigo 5º da Constituição Federal pelo defensor.  Não podemos ter um advogado mal capacitado, que não consiga defender o cidadão, que o cidadão apodreça na cadeia por conta de uma má defesa, que perca seu patrimônio por conta de uma má defesa.

JusTocantins – Então, na sua opinião, o exame é uma forma de proteger a sociedade beneficiada pela aplicação do exame?

Ophir Cavalcante - O exame de ordem vem proporcionar é que aqueles que querem ingressar na advocacia e querem ter essa missão constitucional, de defesa da cidadania, de defesa da liberdade, tem que ter preparação, tem que ter capacitação. E o exame de ordem vem apontar neste sentido. Por isso ele é muito importante para o cidadão brasileiro, é importante para a advocacia, mas ainda mais importante para o cidadão brasileiro que será o grande destinatário dos serviços que são prestados pelos advogados.

JusTocantins – Sobre a vaga no Tribunal de Justiça aqui no Tocantins, que deve ser apontada de acordo com as regras do Quinto Constituição da OAB. Na sua opinião quais os quesitos que devem pesar nesta escolha?

Ophir Cavalcante – A participação tanto da advocacia quanto do Ministério Público nos tribunais é muito importante, porque ela leva uma outra visão que enriquece cada vez mais os debates nos tribunais. Agora, nós Ordem, nós advogados temos que ter uma responsabilidade muito grande na escolha dos nossos representantes, para que eles possam justamente levar as bandeiras que a Ordem defende, as bandeiras da cidadania deste País para o Judiciário.

JusTocantins – Considerando essas questões que envolveram o judiciário tocantinense, o que o senhor avalia que deve ser mais importante nesta escolha?

Ophir Cavalcante – Na verdade, o que se quer é que essas pessoas conheçam efetivamente que é importante a probidade, é importante não se ter nepotismo dentro da Justiça, é importante cuidar da Justiça como um valor para a sociedade, como é a saúde, a segurança, a educação, não havendo licitações fraudadas. Enfim, tudo aquilo que exigimos dos outros, nós queremos que os nossos representantes também cumpram dentro do Judiciário.

JusTocantins – Então a observância da questão ética é primordial, na sua opinião?

Ophir Cavalcante - Não há dúvida que a ética é fundamental. É fundamental na família,  escola, e é fundamental na profissão. Aqueles que vão exercer um cargo desta natureza, ele tem que se despir de toda a vaidade, mas sobretudo, despir da vontade de enriquecer. É sacerdócio. Quem quer ser desembargador vai ganhar um bom salário, mas a vida inteira. Se for para enriquecer está na profissão errada. Se quiser enriquecer dentro da magistratura, dentro do Ministério Público, tem que ir para a cadeia, porque lugar de bandido é na cadeia.

Leia mais: OABOphir Cavalcante

COMENTÁRIOS

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Comentários (2)
  • Ana Clara | 14/11/12 19h14

    Gostei muito do texto e tudo mais e também acho que o Ophir já falou muito mais coisas interessantes. Nesse site existem mais opinões dele. http://www.ophircavalcante.com.br/ . Quem quiser dar uma olhada depois, acho que vai agragar bastante.

  • RAQUEL LIMA | 28/09/12 14h52

    Entendo que o Exame de Ordem não afere conhecimento teórico de bacharel e a prova disso são os erros grotescos, primários, cometidos por advogados no exercício da profissão e divulgados pela mídia do país inteiro. O que mostra que o exame não é atestado de garantia da sociedade, bandeira da OAB na defesa do exame. O direito é dinâmico e por isso mesmo o advogado é um eterno estudante e pesquisador cuja eficácia será sua garantia ou não de sobreviver no mercado de trabalho onde os maus profissionais por si só se destroem.