Comunicação é relacionamento também para as instituições

O papel das instituições públicas na pandemia é, sobretudo, manter a prestação dos seus serviços. Para se comunicar bem, contudo, elas devem ir além disso com projetos, iniciativas e ações que colaborem com o crescimento de pessoas. Ações de comunicação podem ajudar!

Comunicação tem tudo a ver com troca, compartilhamento, conhecimento e informação. Por isso, para dar certo, tem que haver relacionamento. Comunicação isolada seria algo como um monólogo sem público; com relacionamento, a comunicação é positiva.

Quando idealizou a campanha institucional “Informação também é prevenção”, a Defensoria Pública do Estado do Tocantins foi além ao atuar no combate a notícias falsas e no compartilhamento de informações com seu corpo funcional e com pessoas assistidas a fim de informá-los sobre o novo coronavírus e sobre a situação da covid-19 no Estado. 

Era necessário fazer? Por regra, não. Por comunicação, sim! A cada publicação ou ação da Campanha, a Defensoria Pública se comunica e, portanto, se relaciona. 

“Troca”, “colaboração”, “relacionamento”, “apoio”... palavras e expressões em alta no vocabulário de líderes de diferentes áreas profissionais, mas que são ligadas diretamente ao conceito de comunicação.  

Observe que um texto bem escrito, uma oratória incrível, a clareza ao dar uma notícia, conduzir bem uma entrevista, chegar à melhor escolha de uma imagem e definir a paleta de cores ideal para um projeto são habilidades que envolvem técnica, talento, disciplina e claro, estudo dos profissionais da área. Mas comunicação é mais que isso: ela utiliza essa expertise para criar relacionamentos.

Na pandemia do novo coronavírus, as instituições se viram na necessidade de uma reinvenção do modo de trabalho e também de se fazerem ouvidas. Aquelas que já compreendiam ou passaram a compreender que comunicar é se relacionar, conseguiram se aproximar ainda mais dos seus. Já as outras ainda estão perdidas em publicações bonitinhas com fotos de bancos de imagens e frases de impacto, apenas. 

Como criar relacionamento, portanto? Com sinceridade no discurso, atuação estratégica e identificação da identidade. Com isso se tem um belo começo nesse processo. Sim, é um processo e não tem um passo a passo igual para todos. De todo modo, deve haver disposição do gestor ou gestores da instituição para inovar com consciência da essência da instituição, para não se perder em modismos. Esse equilíbrio é fundamental para que o comportamento seja interessante e inteligente, nunca caricato. 

Se posicionar também é necessário e isso é saber usar as linguagens disponíveis para transmitir a mensagem que se quer conforme o que você acredita. O posicionamento tem relação com a identidade. 

Um exemplo sobre se posicionar a partir de um tema simples, veja: quando uma instituição afirma “Fique em casa”, ela dá uma ordem e usa um discurso direto, porém, repetitivo e sem identidade. Já pensou nisso? Agora, quando ela diz “Fique em casa” e explica o porquê dessa orientação, ela se comunica. Se ela explica o porquê e apresenta uma solução, ela se comunica e se destaca. 

“Fique em casa, estamos trabalhando por você” ou “Estamos trabalhando da nossa casa para que você não saia da sua”; são frases que soam muito melhor, certo? Elas são agradáveis e despertam simpatia porque transmitem uma mensagem. Esse posicionamento, importante dizer, faz parte do relacionamento da Defensoria Pública com seus assistidos e assistidas e está alinhado com a iniciativa da Instituição e de seus gestores.

Entre pessoas, é difícil se comunicar com quem é autoritário, dono ou dona da razão. Trazendo essa narrativa para as instituições, fica fácil entender que uma instituição sisuda sempre encontrará problemas para o diálogo, ao passo que uma instituição que se comunica encontra caminhos mais seguros em situações de conflito. 

Comunicação é relacionamento. Lembre-se disso!

 

 

*Cléo Oliveira
é jornalista e comunicadora há 16 anos com especializações em Comunicação, Sociedade e Meio Ambiente (2007) e em Jornalismo Político (2013).
Desde setembro de 2017 integra a equipe de Comunicação da Defensoria Pública do Estado do Tocantins. Foi coordenadora de Jornalismo da Assessoria de Comunicação e desde fevereiro de 2019 está na chefia do setor.
[email protected]

Cléo Oliveira* - 24/09/2020

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